Wednesday, September 8, 2010
Mini Bovinos

História da origem dos pôneis brasileiros

          Os pôneis são uma família de eqüinos de pequeno porte e ao contrário do que muitos criadores pensam, são animais primitivos, ligados e identificados com a própria origem dos eqüinos. A definição das diversas raças de pôneis ocorreu mais recentemente e expressa a ação selecionadora do homem e os novos ambientes de criação disponíveis desde os primórdios da domesticação dos cavalos.

           Existem muitas raças de pôneis espalhadas por vários continentes, sendo que as mais tradicionais se encontram na Europa. Na América do Sul além dos pôneis argentinos, uruguaios e paraguaios destacam-se os pôneis brasileiros que são as raças Piquira e Brasileira. A Associação Brasileira dos Criados do Cavalo Pônei (ABCCP), procura, através do Padrão Racial, padronizar os animais das raças Brasileira e Piquira, controlando também as raças exóticas como Shetland inglesa e americana, Welsh Moutain Pony também inglesa e, a austríaca, Haflinger. Cada raça controlada pela ABCCP seguem seu Padrão Racial apresentando desclassificações comuns. As desclassificações mais sérias que devem ser rigorosamente observadas para registro definitivo são pseudo-albinismo ou gázeo, alginoidismo (deficiência de pigmentação da íris), belfo (relaxamento das comissurs labiais), prognatismo (assimetria das arcadas dentárias), criptorquidia uni ou bilateral (roncolho), anorquidia (ausência de testículo) assimetria acentuada dos testículos.

              Atualmente a ABCCP conta com, aproximadamente, 1500 associados, sendo registrados animais controlados, com genealogia conhecida, isto é, em Livro Fechado (LF) e animais sem genealogia conhecida, isto é, Livro Aberto (LA) para as raças nacionais. O registro definitivo acontece quando os animais atingem a idade mínima de 36 meses e são inspecionados por técnicos credenciados pela ABCCP.

 

Pônei da raça Brasileira:

           A raça Brasileira é a mais popular raça pônei de origem nacional, sendo simplesmente conhecida como Pônei. Ainda está em formação e caracteriza-se por animais de pequeno porte cujo objetivo é estimular o interesse, na criança, pelas atividades eqüestres, além de serem utilizados na tração de pequenas viaturas e em diversas atividades esportivas. Esta raça originou-se do cavalo pônei da raça Shetland, da Escócia, e dos animais Falabella, da Argentina, além da influência de animais oriundos do Uruguai e Paraguai. Nos últimos cinco anos, o criatório nacional começou a ter infusão de animais provenientes dos Estados Unidos da América, os mini-cavalos americanos. É criada em todo território Nacional, sendo os Estados de maior expressão o Rio Grande do Sul, São Paulo e Minas Gerais, este último considerado o Estado berço da raça.

            O Padrão Racial atual determina que os machos e as fêmeas, na idade de registro definitivo (36 meses), não ultrapassem 1,10 m de altura na cernelha e que a altura na garupa não ultrapasse a altura na cernelha em mais do que 0,02 m. Devem, ainda, mostrar docilidade, rusticidade, e os machos ao se apresentarem montados devem evidenciar bom temperamento e aptidão para sela. Todas as pelagens são admitidas, exceto a albina. O andamento desejado é o trote em todas as modalidades admitindo-se a marcha.

PADRÃO DO CAVALO PÔNEI DA RAÇA BRASILEIRA

      1- APARÊNCIA GERAL:

          PORTE Pequeno

          Altura máxima aos 36 meses para Machos: 1,10

          Altura máxima aos 36 meses para Fêmeas: 1,10

          Forma: Musculatura e estrutura fortes e proporcionais.

          Qualidade: Ossos secos e fortes. Tendões e articulações secas e bem definidas.

          Temperamento: Dócil e ativo.

          Pelagem: Todas as pelagens e suas variedades.

II - CABEÇA

  1. Forma: Triangular.
  2. Orelhas: Pequenas, móveis, paralelas, bem implantadas e dirigidas para o alto.
  3. Fronte: Ampla e plana.
  4. Perfil: Retilíneo e levemente côncavo no chanfro.
  5. Ganachas: Afastadas e bem definidas.
  6. Olhos: Vivos, afastados e expressivos.
  7. Narinas: Delicadas, abertas e flexíveis.
  8. Boca: Com lábios justapostos, firmes e móveis.

III - PESCOÇO

- De comprimento e musculatura proporcionais, mostrando leveza e preferencialmente rodado. De inserção bem definida, sendo a do tronco no terço superior do peito. Crinas fartas e sedosas.

IV - TRONCO

  1. Cernelha: Definida, proporcionando boa direção à borda superior do pescoço.
  2. Peito: Profundo, largo e musculoso.
  3. Costelas: Arqueadas, proporcionando boa profundidade e amplitude torácica.
  4. Dorso: Curto e reto.
  5. Lombo: Curto, reto e de musculatura forte.
  6. Ancas: Simétricas, afastadas e proporcionais.
  7. Garupa: Proporcional, de musculatura forte e forma arredondada, harmoniosamente ligada ao lombo. De preferência com altura igual a da cernelha.
  8. Cauda: Harmoniosamente bem implantada. Cerdas sedosas e abundantes.

V - MEMBROS

  1. Espáduas: Longas, oblíquas e musculosas.
  2. Braços: Curtos, oblíquos e musculosos.
  3. Antebraços: De comprimento médio e musculatura definida.
  4. Joelhos: largos, bem suportados e na mesma vertical do antebraço.
  5. Coxas: Musculosas.
  6. Pernas: De comprimento médio e musculatura definida.
  7. Jarretes: Secos, lisos, firmes e bem aprumados.
  8. Canelas: Curtas, secas e bem aprumadas, com tendões fortes e definidos.
  9. Boletos: Arredondados, definidos e bem articulados.
  10. Quartelas: Proporcionais, oblíquas e fortes.
  11. Cascos: Arredondados, sólidos, íntegros, com sola côncava e ranilha elástica.

VI - ANDAMENTO - Trote em todas as suas modalidades, de preferência o de ação reta, regular, firme com reações suaves e admitindo-se a marcha.

VII - DESCLASSIFICAÇÕES

  1. Pele: Pseudo-albino (gázeo).
  2. Olhos: Deficiência de pigmentação da íris (albinoidismo).
  3. Temperamento: Vícios e taras considerados graves e transmissíveis.
  4. Orelhas: Mal implantadas (acabanadas).
  5. Perfil: Convexilíneo.
  6. Boca: Relaxamento das comissuras labiais (belfo).

Assimetria das arcadas dentárias (prognatismo).

  1. Pescoço: Cangado ou invertido.
  2. Dorso-lombo:
    - Concavexilíneo (lordose ou selado)
    - Convexilíneo (difose ou dorso de carpa)
    - Desvio lateral da coluna vertebral (escoliose).
  3. Garupa: De altura superior a da cernelha (menso), tolerando-se uma diferença de até 02 cm.
  4. Membros: Taras ósseas congênitas, hereditárias e defeitos graves de aprumos.
  5. Aparelho genital:
    - Criptorquidismo uni ou bilateral (roncolho).
    - Anorquidia (ausência de testículos).
    - Assimetria acentuada dos testículos.
    - Anomalias congênitas do aparelho genital das fêmeas.
  6. Andamento: Andadura.

(Aprovado pelo Conselho Deliberativo Técnico em reunião do dia 07 de abril de 1992, conforme previsto no Regulamento do Registro Genealógico).

 

A raça Piquira

          A raça Piquira é caracterizada por animais de pequeno porte pertencendo, portanto, à família pônei, é de origem nacional e bastante rústico. É conhecido popularmente como "mangalarga em miniatura".

          O que destaca o Piquira das outras raças de pôneis é a qualidade do seu andamento e a sua docilidade. A marcha é o objetivo primário dos criadores não importando se batida ou picada sendo que o trote e andadura são desclassificantes para registro definitivo. Quanto ao temperamento é um animal bastante dócil e resistente. É usado na lida com o gado, para esporte e lazer. É pouco difundida no Sul do país mas bem apreciada em Minas Gerais e Nordeste.

           Os animais são registrados com 36 meses de idade e a altura máxima hoje, é 1,30 para machos e 1,28 para fêmeas com altura ideal de 1,22 m para machos e 1,20 m para as fêmeas, sendo que a altura da garupa não deve exceder mais de 0,02 m da altura na cernelha. Todas as pelagens são permitidas exceto pseudo-algina (gázeo ou pombo).

            As raças que contribuíram para a formação do Piquira foram a Mangalarga Marchador, Brasileira e os animais nordestinos cruzados com éguas comuns de menor porte, sendo que hoje já está bastante padronizada e a infusão destas raças ocorre em pequena escala. Apenas o "Catingueiro" ainda é aceito pelos criadores do Nordeste e como o livro do Registro Genealógico continua aberto, estes animais são registrados por se enquadrarem bem no Padrão Racial em vigor. Os criadores hoje buscam um animal harmonioso mas rústico, com aptidão para sela, de andamento marchado e muito cômodo.

PADRÃO DO CAVALO PÔNEI DA RAÇA PIQUIRA

I - APARÊNCIA GERAL

  1. Porte:

Pequeno

Altura máxima aos 36 meses para Machos: 1,30

Altura máxima aos 36 meses para Fêmeas: 1,28

Altura ideal: Machos: 1,22 / Fêmeas: 1,20

Forma: Aparência leve, linhas harmoniosas, estrutura e musculatura proporcionais.

Qualidade: Ossatura seca e proporcional, pele fina, pelos finos e sedosos.

Temperamento: Ativo e sobretudo dócil.

Pelagem: Todas as pelagens e suas variedades.

 

II - CABEÇA

  1. Forma: Triangular, seca e proporcional.
  2. Orelhas: Móveis, paralelas, bem implantadas e dirigidas para o alto.
  3. Fronte: Larga e plana.
  4. Perfil: Retilíneo.
  5. Ganachas: Definidas, afastadas e bem delineadas.
  6. Olhos: Afastados, expressivos, vivos, com pálpebras finas.
  7. Narinas: Amplas e flexíveis.
  8. Boca: De abertura média, lábios finos, justapostos e firmes..

 

III - PESCOÇO

- De forma piramidal, comprimento e musculatura proporcionais. De inserções harmoniosas, sendo a do tronco no terço superior do peito.

- De direção oblíqua e aparência leve, admitindo-se, nos machos adultos, ligeira convexidade na borda dorsal. Crinas finas e sedosas.

 

IV - TRONCO

  1. Cernelha: Bem definida, longa e harmoniosamente ligada ao pescoço.
  2. Peito: De musculatura proporcional, amplo, profundo e não saliente.
  3. Costelas: Longas, arqueadas, proporcionando boa amplitude torácica.
  4. Dorso: De comprimento médio, reto, bem ligado e com boa cobertura muscular.
  5. Lombo: Curto, reto, largo, com boa cobertura muscular e bem ligado ao dorso e à garupa.
  6. Ancas: Afastadas, simétricas e musculadas.
  7. Garupa: De altura igual ou inferior à cernelha, longa, com musculatura proporcional, inserida harmoniosamente ao lombo e suavemente inclinada.
  8. Cauda: De inserção média, bem implantada com cerdas finas e sedosas.

 

V - MEMBROS

  1. Espáduas: Longas, oblíquas, largas, definidas e musculosas.
  2. Braços: Médios, oblíquos, musculosos e bem articulados.
  3. Ante-braços: Longos, com direção vertical e de musculatura definida.
  4. Joelhos: Largos, retos, secos, bem articulados e na mesma direção do ante-braço.
  5. Coxas: Musculosas e bem inseridas.
  6. Pernas: Fortes, longas, aprumadas, bem articuladas e com musculatura definida.
  7. Jarretes: Secos, firmes, lisos, bem articulados e aprumados.
  8. Canelas: Retas, secas, curtas, verticais, com tendões fortes e delineados.
  9. Boletos: Arredondados, definidos e bem articulados.
  10. Quartelas: Médias, oblíquas e fortes.
  11. Cascos: Arredondados, sólidos, íntegros, sola côncava e ranilha elástica.

 

VI - ANDAMENTO

- Marcha batida ou picada, cômoda, regular, de bom rendimento e estilo.

 

VII - DESCLASSIFICAÇÕES

1. Despigmentação:   a) Pele: Pseudo-albino (gázeo)

                                   b) Íris: Albinóide

2. Temperamento: Vícios e taras considerados graves e transmissíveis.

     Orelhas: Mal implantadas (acabanadas).

     Perfil: Convexilíneo ou concavilíneo.

     Boca: Lábios com relaxamento das comissuras (belfo).
      Arcadas dentárias assimetria maxilar superior ou inferior (prognatismo).

     Pescoço: Cangado ou excessivamente rodado.

     Dorso-lombo:
      - Concavelilíneio (lordose ou selado)
      - Convexilíneo (cifose ou dorso de carpa)
      - Desvio lateral da coluna vertebral (escoliose).

     Garupa: De altura superior à cernelha, aceitando-se uma diferença de até 02 cm.

     Membros: Defeitos graves de aprumos.

     Aparelho genital:
        - Criptorquidismo uni ou bilateral (roncolho).
        - Anorquidia (ausência de testículos).
        - Assimetria acentuada dos testículos.
        - Anomalias congênitas do aparelho genital das fêmeas.

    Andamento:
       - Trote
       - Andadura

(Aprovado pelo Conselho Deliberativo Técnico em reunião de 06 de outubro de 1992, conforme previsto no Regulamento do Registro Genealógico).

 

A raça Shetland

          A raça Shetland é oriunda das ilhas Shetland, na Escócia. Os primeiros remanescentes do pônei Shetland encontrados nas ilhas foram, provavelmente, domesticados durante a Era do Bronze, 2500 a.C. Apesar de, na literatura, encontrar que os ancestrais do pônei tiveram origem em regiões inóspitas da Inglaterra por deficiências nutricionais o mais provável é que, como os ancestrais dos eqüinos apresentavam altura na cernelha de aproximadamente 13,2 polegadas ou 33,53 cm, os pôneis, talvez, tenham evoluído de forma mais lenta, estando hoje, mais próximos do ancestral do cavalo do que os eqüinos de maior porte. É provável também que, devido ao isolamento que se seguiu, seu tamanho tenha sido reduzido devido a consangüinidade elevada da população. É a menor e a mais característica raça eqüina inglesa, com as qualidades de rusticidade, resistência e vivacidade. Qualquer pelagem é permitida. São mais fortes, resistentes e longevos que os animais maiores. Os Pôneis Shetland têm temperamento extremamente dócil e são fáceis de serem treinados. Adaptam-se a todos os tipos de trabalho compatíveis ao seu tamanho, tendo sido utilizados por mineiros de carvão como animais de carga em grandes profundidades.

 

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